Lar BrasilQuando a alma chora e o ministério continua

Quando a alma chora e o ministério continua

*Os rios de Babilônia e a dor de quem cuida de todos, mas também precisa de cuidado*

por admin

 

 

Por Fernando Gonçalves • Leitura de aproximadamente 4 minutos

Existe uma dor que nem sempre aparece no púlpito.

A voz continua firme. A mensagem continua sendo entregue. As pessoas recebem oração e voltam para casa. Mas, quando o culto termina, quem fortaleceu tanta gente se pergunta em silêncio: *“Quem vai me ajudar a permanecer de pé?”*

Talvez você conheça esse lugar. O corpo continua cumprindo a agenda, enquanto a alma sente saudades da alegria de servir.

O Salmo 137 dá palavras a essa dor:

> “Junto aos rios de Babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião.”
>
> — Salmo 137:1

O texto fala de um povo arrancado de sua terra, vivendo a realidade do exílio. Não descreve diretamente uma crise ministerial. Mas aquele lamento nos ajuda a reconhecer algo que também acontece dentro de nós: *a dor de continuar vivendo depois de perder um lugar ao qual o coração ainda pertence.*

Para alguns, esse lugar foi uma comunidade. Para outros, uma relação de confiança, um projeto ou um tempo em que servir a Deus parecia mais leve.

Agora, tudo parece distante.

*Quando lembrar também faz doer*

Os exilados choravam quando se lembravam de Sião.

Há lembranças que aquecem. Outras apertam o peito. Você recorda a sinceridade das primeiras orações, a alegria da comunhão, a disposição com que dizia: “Eis-me aqui, Senhor!”

Então olha para o presente e pergunta: “O que aconteceu comigo?”

Preste atenção: nem toda perda de entusiasmo significa perda de amor por Deus. Há pessoas que continuam amando profundamente, mas estão cansadas de carregar decepções sem encontrar espaço para falar sobre elas.

Sofrem pela confiança quebrada. Pelo trabalho que terminou. Pelas despedidas que nunca foram elaboradas. Pelo que esperavam viver e não aconteceu.

É uma espécie de luto ministerial: a dor por perdas que atingem o servir, os vínculos e a maneira como a pessoa compreende seu lugar.

*Você pode sentir falta de uma estação sem precisar voltar a ela para reencontrar sentido.* Deus também pode conduzir sua vida por caminhos que ainda não conhece.

*Quem exige o cântico enxerga as lágrimas?*

Nos versículos seguintes, os exilados contam que penduraram suas harpas. Seus captores, porém, pediam canções.

Que cena dolorosa: quem os havia levado cativos queria ouvir a música de Sião.

Essa passagem nos confronta também como comunidade. Será que, às vezes, esperamos a próxima mensagem, a próxima escala e a próxima entrega sem perguntar como está a pessoa que serve?

Queremos ouvir sua voz, mas temos disposição para escutar sua dor?

Pastores também precisam ser pastoreados. Líderes precisam de acolhimento. Quem aconselha também necessita de um lugar seguro para dizer: “Hoje, eu não estou bem.”

*O altar não elimina a nossa humanidade. Diante de Deus, podemos apresentá-la sem fingimento.*

*Deus também encontra o servo no descanso*

Em 1 Reis 19, encontramos Elias debaixo de uma árvore, desejando morrer. O profeta que enfrentara os profetas de Baal havia chegado a um lugar de profunda aflição.

O relato inclui sono, alimento, água e, depois, a continuidade de sua caminhada e o encontro com Deus.

Há uma ternura nesse cuidado que precisamos aprender.

Antes de cobrar novas respostas de alguém ferido, precisamos nos aproximar. Ouvir. Ajudar a carregar o que ficou pesado demais.

Se você está nesse lugar, fale com alguém de confiança. Permita-se receber cuidado, inclusive profissional quando necessário. Você não precisa esperar desabar para reconhecer que precisa de ajuda.

*Sua vida merece cuidado mesmo quando você não consegue produzir nada para ninguém.*

*O rio não precisa definir toda a paisagem*

Talvez hoje você só consiga chorar. Não transforme esse momento em motivo de vergonha.

Mas também não entregue à dor a autoridade de escrever, sozinha, tudo o que você acredita sobre seu futuro.

Pergunte a si mesmo: de que perda ainda preciso falar? Quem conhece meu estado real? Estou buscando a presença de Deus ou tentando recuperar, a qualquer custo, uma versão de mim que já não consigo sustentar?

Essas perguntas merecem oração, tempo e companhia.

O Salmo 137 preserva o lamento de um povo. Há lugar nas Escrituras para a voz de quem sofre. Há lugar diante de Deus para a sua voz também.

Hoje, talvez sua oração seja apenas: “Senhor, estou cansado. Cuida de mim.”

Comece por aí.

*Você continua sendo alguém amado por Deus quando a harpa está em silêncio.*

Shalom, em nome de Jesus.

*Selo Convívio do Reino*
Formando mentes. Curando almas. Ativando destinos.

Por:

Pastor há 25 anos
📖 Mestre em Teologia
👑 Líder do Projeto Convívio do Reino
📚 Escritor

Você também pode gostar

Deixe um comentário